
|
The Author |
|
Wanna find her? |
|
More About her? |
|
To think about |
|
An?ncio |
|
The Past |
|
Blogs |
|
F?runs |
|
Sites |
|
Link Me |
|
Vote |
|
Contador |

|
Thanks to |
É chegada a hora
A hora de nos levantarmos e seguirmos o melhor caminho.
A hora de pararmos para analizar nossas atitudes.
A hora de percebermos a luz que veio.
A hora de colocá-la em prática.
Eu acredito.
O futuro está aí e será muito melhor do que a mídia diz.
Chegada é a hora de começarmos a ser verdadeiramente íntegros;
Chegada é a hora de sermos verdadeiramente feliz!
Eu acredito.
E você?
Acredita?
Bium.
Olhos Vendados

Século XXI.
A humanidade festeja, pra variar, o novo século, os avanços da tecnologia, o desenvolvimento do ser humano. É, somos civilizados! Espera aí... eu disse civilizados? Perdão, esqueci-me de uma pequena palavra. Somos aparentemente civilizados.
Com base na matéria da revista National Geographic de Setembro de 2003, venho hoje fazer esse post. Desta vez, venho denunciar. Venho mostrar a vocês a revolta que senti quando li aquela matéria que contava coisas absurdas a respeito daquele que chamamos de homem civilizado. Venho falar para vocês sobre os Escravos do Século XXI.
Embora a escradivão tenha sido abolida em todos (e eu disse todos mesmo) os países do planeta Terra, em mais de 110 países se tem notícia de mais de 100 vidas humanas sendo traficadas como objetos. Salvam-se desta lista poucos países como Argentina, Nova Zelândia e Austrália. E se você quiser pensar em um desses países desenvolvidos, pode me dizer qualquer um; todos estão lá: Estados Unidos, Inglaterra, Alemanha, França, Canadá, Noruega, Suíça, Japão, Itália e assim vai...
E esta escravidão não refere-se àquelas pessoas que trabalham muito e ganham muito pouco, ou àquelas que trabalham para morar na casa do patrão. Não, refere-se à escravidão no sentido literal. Onde pessoas, vidas, seres humanos, são comprados e vendidos, são espancados e tratados como meros objetos, pertencentes a outros seres humanos que consideram-se civilizados. Seres humanos esses que julgam-se no direito de ganhar dinheiro em cima da vida de outras pessoas.
A reportagem aborda crianças que são vendidas pelos seus pais para que eles possam sobreviver por mais algunas anos, e que passam a ter suas vidas presas a de outras pessoas. Aborda também mulheres que são igualmente vendidas e que são obrigadas a se prostituir ou que são facilmente enganadas pelos conhecidos como "coiotes", homens que enganam as pessoas com propostas de trabalho e as escravizam.
Há, neste mundo tão civilizado, pessoas que não têm noção de como é viver em liberdade ou de agir por conta própria. Meninas que são obrigadas a se casarem com dez anos porque seus pais as vederam para outros homens. Meninos que são obrigados a se prostituirem à pedófilos. Pessoas enganadas por outras friamente inteligentes que inventam e criam dívidas infinitas e gigantescas para poderem, assim, subjulgarem-nas.
Eu não consigo ver humanidade nesses atos. Não consigo acreditar que haja uma pessoa capaz de fazer isso com outra. E se vocês pensam que são só homens, estão muito enganados! Na maioria das vezes, os negócios são comendados por casais. Sim, mulheres que acham absolutamente normal venderem o corpo de outras mulheres para poderem ganhar dinheiro.
Um dono de prostíbulo, ao ser flagrado e ter 50 de "suas mulheres" libertadas, chegou a reclamar da seguinte forma: "É crime vender mulheres? Mas e os jogadores de futebol? Eles são vendidos, não são?". E depois teve a ousadia de dizer que aquelas mulheres libertadas lhe haviam custado caro e pediu ressarcimento. O pior é que muitas pessoas passam por situações como as de uma menina citada, que, com 14 anos já se prostituía mas que não gostaria de voltar ao seu país de origem, pois lá ela morreria de fome.
Há grupos engajados no combate desses tráficos? Há. Mas há também, dentro desses próprios grupos, pessoas corruptas que compactuam com os traficantes. E ainda vemos também lugares em que os principais clientes são policiais. Existem ainda centros de escravidão, com pessoas trabalhando pesado sem receberem nada, ao lado (e eu digo ao lado mesmo, sem sequer um muro para esconder) de estabelecimentos chiques e "comuns". Todo mundo vendo, mas fingindo que não viu.
Quase metade da população mundial vive em situação de total miséria, com apenas 2 dólares por dia para se sustentar e à família. Ninguém vê isso? Vêem, mas vedam seus olhos descaradamente para poderem mais tarde, alegarem que não viram. Se já em pequenos atos, como ignorar um pedinte na rua, notamos essas vendas, imagine nos maiores, onde se tem milhões e milhões de dólares envolvidos?
Tiremos as vendas.
Harpia.
Crônicas de Ônibus
As pessoas andam dizendo por aí que eu sou revoltada com os ônibus. Não é bem verdade. Eu apenas comecei a reparar como os seres humanos mudam quando entram no veículo. Simplificando, parece que viram animais quase irracionais, sedentos por um lugar para sentar sem se preocupar com os outros seres (que também se tornaram animais selvagens) e acotovelando quem vier pela frente. O "cômico" dos ônibus é que presenciamos coisas das mais variadas espécies. Classifiquei-as por "tipos". Acompanhemos, então, algumas crônicas que presenciei dentro desses bizarros veículos:
Situações revoltantes:
- Eu estava em pé ao lado de uma senhora que estava sentada. Ao meu lado, um rapaz e, atrás de mim, um cara, beirando seus 40 anos. O fato foi que em um certo momento, a senhora levantou-se para descer do ônibus e o cara que estava atrás de mim, ao perceber que havia um lugar vago, exclamou: "Nossa, que sorte a minha!". Acotovelou eu e o rapaz ao meu lado e sentou-se afobado. Depois, ficou olhando para a janela a fim de evitar olhares críticos e de fugir de pessoas que precisassem sentar.
- Mais uma vez, eu estava em pé, lendo, por sinal, Paulo e Estêvão, e buscando por um local menos desconfortável para ficar lendo em pé, mesmo. Eis que havia uma garota, provavelmente da minha idade, ou coisa assim, totalmente agarrada ao balaústre. Não, sério mesmo! Não havia ali espaço para mais nnguém a não ser ela. Bem eu tinha que me segurar, certo? Coloquei minha mão no balaústre, tentando, inutilmente, fazer com que ela liberasse para mim um pequeno espaço que estava tomado por suas costas. Ela não liberou, mas sentiu-se incomodada com meus dedos cutucando-a. Assim sendo, logo que o ônibus parou e liberou mais espaço (momentaneamente, é claro), ela saiu daquela balaústre e (pasmem), mudou-se para outro, repetindo a situação e atrapalhando outras pessoas. Mais à frente, liberou-se um lugar. Ela acotovelou uns e outros para chegar a ele. Depois, um lugar na frente do dela ficou vago também e ela empurrou a velhinha que ia se sentar para sentar-se antes dela no novo lugar.
Situações bizarras:
- Havia próxima a mim, uma senhora (não idosa) sentada. Eis que entrou no ônibus uma moça jovem, mas com um bebê (muito fofo, por sinal) no colo. Naturalmente, ela chamou a atenção da moça e levantou-se para ceder seu lugar. Acontece que ao lado dela havia um rapaz com uma mala enorme. E assim que viu o lugar ficar vago, nem quis saber; sentou-se antes que a moça pudesse fazê-lo. A senhora que cedera o lugar pigarreou e o rapaz, vermelho de vergonha, notou o que fizera e voltou a se levantar.
- Dessa vez, eu ainda estava no tubo esperando pelo ônibus. Eis que ele chegou veloz e lotado para o "alívio" dos que esperavam. Acontece que o motorista provavelmente achava que seu veículo já estava cheio demais e, portanto, fez que ia abrir a porta de embarque (porta 3) e fechou-a em seguida, antes que alguém pudesse entrar. Nós, no ponto, reclamamos, mas não tanto quanto a senhora que tentara sair pela porta de embarque. Ela ficou vermelha de raiva e esbravjeou para o motorista que, certamente, não ouviu e seguiu com o ônibus e ela perdeu a parada em que desceria...
Situações de esperança:
- Esta não aconteceu dentro do ônibus, mas eu a presenciei de dentro dele. O ônibus estava passando, é claro, indo para o próximo ponto. Parou no sinal vermelho e eu pude ver, na calçada, um homem todo maltrapilho, encolhido para proteger-se do frio. Neste momento, veio um rapaz com uma sacola de papel, dessas de padaria, e acordou o sujeito, oferecendo-lhe o abençoado alimento. Eu, dentro do ônibus, só pude orar e agradecer a Deus por esses lembretes de esperança que nós recebemos de vez em quando e, é claro, abençoado o rapaz por sua atitude tão bonita.
- Desta vez eu me encontrava no Inter 2. Quem conhece esse ônibus sabe que ele praticamente nunca (pra não generalizar, apenas) está vazio. Na ocasião em questão, não era diferente. Estava l-o-t-a-d-o. Eis que eu - pobre de mim - fiquei esmigalhada entre cinco homens. Todos de costas para mim, exceto um, com suas... bem, nádegas roçando para lá e para cá. Ô, situação desagradável. Lá estava eu, tentando achar uma pose mais confortável, mas todas resultavam em bundas. Aquele único homem que não estava de costas - e, conseqüentemente, de bunda - para mim, era um negro de roupas de certa forma sujas e com a camisa de botões azul aberta, de forma relaxada.
Qualquer um que olhasse diria que ele não era confiável. Porém, vendo meu desespero ali, ele abriu um espaço à sua frente, e pergutou a mim: "Quer se encaixar aqui?" Bem, sintam a pergunta... Parei para analizar; seria ele uma boa alma querendo me ajudar ou apenas mais um tarado querendo aproveitar-se da situação? Pensei comigo mesma e decidi que se fosse a segunda opção, eu faria um tremendo escândalo. Respondi: "Será que dá?" Ele afirmou com a cabeça e abriu mais o espaço para mim. Fiquei lá, com um espaço de raio 10 cm (considerando-me como o centro). Ele esforçou-se ao máximo para não encostar sequer a roupa em mim. Educado? Não me importa. Admirei sua atitude e, mais uma vez, vi-me pedindo proteção e bênção a alguém que mereceu.Falo aquio, de uma situação de pré-conceito, tão presente, infelizmente, no nosso dia-a-dia. Aquele podia nem ser um homem bom, afinal. Mas naquela hora foi bom para mim e eu agradeci por isso.
O ônibus é, então, um lugar de muitas situações extremamente variadas e imprevisíveis. As seis que contei acima não chegam nem à metade de tudo que já presenciei. Mas, se quiserem saber de outras, quem sabe, noutro dia, empolgo-me novamente a delatá-las a vocês?
Agradeço mais uma vez a atenção e o carinho dos que sempre visitam este blog!
Um grande abraço,
Harpia.
Coma
coma sm e f 1 Estado mórbido caracterizado pela perda dos sentidos, mantidas a respiração e a circulação.
De acordo com o minidicionário Ruth Rocha, coma é este estado mórbido em que se encontram as pessoas que não têm sentidos mas que o resto do corpo funciona. Ou seja, tudo funcionando, elas apenas não levantam e saem andando e falando por aí. Ficam deitadas em uma cama, submetidas aos cuidados dos outros, sem terem consciência de si mesmas e do mundo.
Estava reparando, esses dias, nas pessoas. Incrível como elas simplesmente vivem sem viverem realmente. Presas dentro de uma visão egocêntrica e egoísta, não percebem o mundo em que estão inseridas. São levadas diariamente pelo cotidiano sem pararem para pensar no verdadeiro sentido de viver. De fato, elas estão tão condicionadas ao mesmo de sempre, que se alguém faz algo diferente do considerado "comum", elas se espantam e criticam.
Eis que eu me encontrava no tubo de ônibus, aguardando pelo biarticulado conhecido como "Vermelhão". Como ainda não estava cheio, pude posicionar-me próxima à porta, para que pudesse ser uma das primeiras pessoas a entrar no veículo. Aos poucos, o tubo foi enchendo e enchendo. Quando vi, já havia uma fila de pessoas amontoadas atrás de mim, uma jovem com a mala do Dom Bosco ao meu lado (acotovelando-me) e um senhor ao lado desta.
Depois de alguns minutos de espera - que para os cansados e esfomeados pareceram uma eternidade -, o ônibus enfim chegou. Bem, ele estava asolutamente entupido de gente. Se me permitem uma hibérbole, havia gente saindo pelas janelas. Assim que ele parou e abriu as portas, a multidão tentou como pôde, sair do ônibus. Não conseguiram, porém, porque havia uma gama de pessoas empurrando na direção contrária, pois queriam entrar.
Eu aguardei, como sempre. Quem estava atrás de mim logo começou a reclamar e a empurrar. "Essa gaorta não vai entrar?"; "Ela é educadinha, quer esperar as pessoas saírem, primeiro" - não, este não foi um elogio... foi uma frase carregada de sarcasmo. Fiz o que sempre faço: ignorei. Quando, por fim, as pessoas pararam de sair (e as pessoas atrás de mim não paravam de empurrar), eu tentei entrar no veículo. Eis, contudo, que o motorista fechou a porta na minha cara. É, exatamente isso.
Enquanto todas as pessoas atrás de mim se indignavam e xingavam em volume ainda mais alto (querendo garantir que eu ouvisse), eu me perguntava o porquê daquela atitude do motorista. A resposta veio logo; havia, atrás daquele, mais dois ônibus... quase vazios. Legal. Esperei que o segundo parasse e abrisse as portas. A garota ao meu lado, correu para dentro, dando-me uma última cotovelada rancorosa e empurrando as pessoas que tentavam sair de volta para dentro do veículo. Aguardei o desembarque. Foi neste momento - enquanto eu aguardava - que passou por mim a dona da frase sarcástica, dizendo: "Com licença, mocinha, mas eu não quero perder outro ônibus". Entrou afobada dentro do ônibus e lutou por um sagrado lugar. Desta vez, eu pude entrar tranqüilamente.
Pararei por aqui com as descrições dos acontecimentos, visto que a partir de agora, eles se tornaram irrelevantes. O fato é que, em conversa com minha mãe, descobri o que Joanna de Ângelis certa vez mencionou em um de seus livros: As pessoas estão em coma. Respiram, sentem fome, sede, locomovem-se e conversam entre si, mas não vivem verdadeiramente. Passam, por vezes, uma vida inteira sem pararem por um único segundo para pensar na razão de viverem.
Perdem preciosas chances de crescerem imensamente porque simplesmente não conseguem olhar para o mundo ao seu redor. Coma. E eu? E você? Estamos em coma? Será que estamos vivendo dia após dia só porque acordamos toda manhã? Será que não estamos apenas indo para o trabalho ou a escola e voltando para casa sem que nossos dias tenham tido um único momento a ser lembrado?
Espero que não... muito.
Eu penso que se em coisas banais como pequenos gestos de educação no dia-a-dia as pessoas já se perdem, imaginem em coisas maiores.
Harpia.
Nossa nova infância

Esses dias estávamos reunídos (eu, e a galera), em uma praça. Havia um monte desses brinquedos para crianças, como gira-gira, gangora, escorrega, trepa-trepa, etc. Sentamo-nos todos em um conjunto de escorregas feito de madeira. É claro que tínhamos que descer e subir de formas diferentes do que as crianças, pois não cabíamos mais direito ali.
Em certo momento, minha amiga virou-se para mim e disse na maior simplicidade: "Vamos brincar?" Aquelas duas palavras para mim soaram de uma forma tão estranha... tão, inocente. Lembrei-me de quando passava horas brincando no meu quarto com minha irmã. Nossas brincadeiras eram tão reais, que por vezes chegávamos a rir, chorar ou se assustar, junto com nossas personagens (Barbies, Lego, Fashion Polly). Era uma época feliz.
Sorri em resposta para ela e perguntei: "De quê?". Ela nos indicou um brinquedo que parece-se com uma escada apoiada em suportes de madeira. Não sei o nome dele, mas as crianças normalmente se seguram em uma das barras da "escada" e tentam chegar ao outro lado penduradas, só usando as mãos, sem cair.
Bem, não tinha como nos pendurarmo dessa forma, visto que já somos altas demais para o brinquedo. Mas nos divertimos assim mesmo. Brincamos de outras formas, rimos e ficamos com dor na mão de tanto nos pendurarmos - é bem verdade que na hora de girar de cabeça para baixo, eu fiquei com medo e desisti... criança não parece ter medo de se machucar.
Lembrei-me, então, não só das minhas brincadeiras com bonecas, mas também da minha meninice muito traquina, na qual eu costumava jogar futebol com os meninos da turma, passava horas jogando bafo (eu era realmente boa nisso!) e brincando das clássicas como esconde-esconde, pega-pega, casinha ou bruxas (sim, adorávamos brincar de bruxas más).
Ô, época boa.
Por que tem que passar?
E a minha pergunta é: será que passa, mesmo? Acho que não. Já diz o ditado: "Não paramos de brincar porque envelhecemos. Envelhecemos porque paramos de brincar". A brincadeira é que, aos poucos, muda. Descobri, então, que não perdemos nossa infância, apenas a mudamos de sentido. Vivemos, então, na nova infância toda vez que nossa brincadeira muda. O importante, é se divertir, porque rir de forma saudável, é claro, é tão bom!
E aí?
Vamos brincar do quê, agora?
Harpia.

Pré-Conceito
Ainda bem que a gente sabe aprender com nossos erros. Eu nunca me julguei uma pessoa que julga antes de conhecer. Sempre achei que eu estava alheia a tudo isso. Grande engano. Doce ilusão. E é aí que entra a importância de eventos como o Encontro Espírita de Verão. Assim sendo, antes de iniciar o texto, em si, vou ter de explicar o que é o Encontro Espírita de Verão.
Todo carnaval, há três anos, já, acontece esse encontro aqui em Curitiba. Jovens espíritas se reúnem por três dias e meio para se auto-conhecerem e aprenderem mais e mais. Lá dentro, o clima é muito bom e renova nossa alma. Aprendemos quando nem percebemos que estamos aprendendo. Através de dinâmicas muito bem estudadas, a coordenação faz com que os jovens cresçam e reflitam sobre seus comportamentos.
E eis que uma dinâmica consistia em interpretarmos uma audiência jurídica. Estaríamos representando ou a defesa, a acusação ou ainda o júri do caso de uma mulher que abandonara seu(ua) próprio(a) filho(a) na rua ou em qualquer outro lugar sem nenhum tipo de proteção. Minha primeira atitude, como qualquer um que minimamente me conheça saberá prever, foi a de revolta. Eu sempre adorei crianças e nunca admiti tal comportamento desumano. O que aconteceu foi que o "destino" me colocou na parte da defesa da mãe. Esperneei, chorei, reclamei, em resumo, fiz um grande escândalo e fiquei no júri. O que eu queria era o ataque. Queria acusá-la sem nem perguntar antes. Queria jogá-la na prisão para que ela sofresse lenta e dolorosamente. Mas tudo bem. Pelo menos estando no júri, eu poderia fazer com que ela definitivamente fosse para a prisão.
O que a dinâmica foi me mostrando ao longo do tempo é que a gente nunca sabe o que leva uma pessoa a tomar determinados tipos de atitudes que a sociedade condena e considera abomináveis. A defesa, incubida de criar uma história para a réu, inventou uma tragédia tão trágica, que as pessoas chegavam a sentir pena daquela mulher. E foi aí que eu percebi que nós nunca sabemos como reagiríamos se estivéssemos naquela situação. Talvez até agíssemos de uma forma pior. Quem garante?
Isso não justifica um ato de maldade. Não justifica uma ação que certamente prejudicará outro ser humano. E, como já diz aquele ditado, "nada justifica a violência". A questão é que foi aí que eu parei para pensar que o preconceito, tão falado ultimamente, na realidade não envolve apenas classes sociais, raças ou modos de se vestir. Envolve tudo. E quando a gente menos imagina, somos preconceituosos com alguém. Com alguém que definitivamente merece uma segunda chance pelo simples fato de ser humano. O pré-julgamento que uma pessoa faz sobre a outra é uma forma injusta de se considerar melhor do que a outra (não sei se entenderam). Não somos perfeitos para julgarmos uns aos outros. E fazemos isso o tempo todo! Nós, com nossas manias de nos considerarmos superiores e de sermos egoístas, julgamos, acusamos e pisamos em cima de quem quisermos, só para nos sentir úteis.
O que eu queria passar a vocês, então, é o meu aprendizado. Eu aprendi. Falta mudar minha conduta. E vim aqui, atualizar este blog depois de tanto tempo, para mostrar a vocês a minha experiência.
Um bom 2006 a todos vocês.
Muitas paz e serenidade em seus corações,
Harpia.
Site do Encontro de Verão:
http://www.encontrodeverao.i5.com.br/
E o certo virou cafona
Buda, Gandhi, Joana D'Arc, Jesus de Nazaré. Todos esses grandes e conhecidos nomes da história vieram à Terra e deixaram aos homens suas mensagens de amor. E quando todo mundo pensou que isso daria um jeito na humanidade, veio uma "galera" e disse que amar era cafona. Foi assim que o certo virou anormal e o errado virou maneiríssimo. Enquanto os antigos e "verdadeiros" cristãos praticavam a lei do amor à risca, exatamente como Cristo lhes ensinara, a humanidade dos séculos seguintes chegou à conclusão de que certos ensinamentos deveriam ser modificados e toda a doutrina pura ficou deturpada. Desde então, quando alguém diz a outro alguém que falar mal das pessoas não é lá uma coisa muito legal, vira imediatamente um brega. É, um cafonão. Aquele "mané estraga-prazeres" que vem encher a paciência da galera. Imediatamente, ele vira o assunto das rodinhas maliciosas.
E o que é as Cacetadas do Faustão senão um grande show de desgraças alheias transformado em diversão pura? Quando estudamos Roma Antiga e aprendemos sobre a política do pão-e-circo, na qual o governo, para enganar o povo, colocava escravos no Coliseu para se digladiarem ou serem comidos por leões, dizemos que naquela época, as pessoas eram bárbaras. Mas aí quando programas de televisão que mostram a desgraça da família que perdeu tudo na enchente, o pessoal acha bastante legal. São pobres mesmo, eles que se danem.
Antes que você diga que o Bem não é cafona, preste atenção aos filmes, seriados, novelas, livros... tudo o que nos cerca é cheio de lutas entre mocinhos e bandidos, escondidos sob os mais diversos papéis. E você nem percebe, mas é para a Laura que você torce, já que a Maria Clara é tão chata. Ora, ela é boazinha demais, não é? Que graça tem naquele mocinho todo cheio de moral e ética, esbanjando amor e paz? Não, o legal é aquele conhecido como anti-herói. Aqueles mocinhos que têm surgido e que na realidade são piores do que seus inimigos.
O ser humano do século XXI se diverte com o sofrimento dos outros. Ele vê as pessoas na rua pedindo esmola e sente pena. Depois vai para casa, liga a televisão e vê um videozinho de um sujeito pegando fogo na rua. Obviamente, esquece-se totalmente do mendigo que acabou de ver, e ri do "tapado" que teve a "capacidade" de tacar fogo em si mesmo. É tão estranho, não é? Se o indivíduo está na sua casa, todo ajeitadinho, e come uma balinha, o que ele faz? Se levanta, vai até o lixo e joga o papelzinho lá dentro. Sim, sua linda casinha deve ser mantida limpa! Ou você espera que ele viva em um chiqueiro? Decida sair para dar uma volta. Compra outra balinha e o papelzinho, que em casa fora direto para o lixo, agora vira mais um daqueles espalhados pelo chão. E se vem alguém e lhe diz para jogar no lixo, esse alguém é um ser inconveniente e irritante. Claro, pois a cidade em que ele vive não precisa ficar limpa, só a casinha linda dele.
O ser humano do século XXI liga a televisão na hora do jornal e apenas assiste desgraças. O momento mais light do telejornal é a previsão do tempo - isso se não chover, é claro. Todos os trabalhos sociais ficam escondidos. Ninguém sequer sabe que eles existem. Mas sabe tudo o que se passa no Big Brother e que o vizinho brigou com a esposa - "Acho que vão se separar, depois dessa."
O ser humano do século XXI até vê aquela velhinha bem velhinha entrar no ônibus, mas vira para o lado e finge que não viu, pois seu cansaço certamente é bem maior do que o daquela senhora. Ele só irá se levantar e dar lugar a ela se demorar uns quinze minutos e ninguém mais o tiver feito. Mas o faz de mau-humor. Queria ficar sentado a viagem toda. E se consegue um novo lugar para se sentar, decide que não mais se levanta, pois já fez boas ações demais por um dia.
O que acontece com o ser humano do século XXI? Por que é tão vergonhoso admitir que acredita em Deus ou falar que de acordo com o Cristianismo, tal atitude deveria ser repreendida? Por que quando fala que determinada coisa está errada o faz em tom de brincadeira, para mostrar ao colegas o quão engraçado ele é curtindo com a cara dos certinhos cafonas? Por que ele não pode caminhar mais três passos com o chiclete na boca e o joga no chão, mesmo, para que o próximo pise?
Eu acredito no amor e na humanidade. E sei que você também quer acreditar.
Mas por que todo mundo finge que não? Por que?
Agradecimentos Finais
O Stuffs ficou em primeiro lugar no concurso Show da Net promovido pelo Blog da Onça e eu gostaria de agradecer sinceramente a todos aqueles que torceram, que votaram, que apoiaram e que acreditaram nesse. Este simples bloguinho, que surgiu quando eu estava de cabeça quente e queria meter a boca no trambone. Este simples bloguinho, que agora já tem um ano e que deve tudo a vocês, leitores!
Mais uma vez, meus sinceros agradecimentos,
Bianca Cristaldi (Harpia).
Vício de Linguagem
por: Iris Maria (Shisha)
Os erros de português irritam em determinada escala, pequenas gafes, colocações impróprias ou marcas de coloquialidade da língua falada passam sem maiores problemas. Mas vícios como o "gerundismo", de que falaremos hoje, não incomodam mais. Afrontam! Irritam profundamente! Evoluíram para praga!
Ah sim, claro, antes de tudo façamos as apresentações:
Gerundismo, a Praga, é o que você mais houve após aquelas intermináveis musiquinhas do atendimento por telefone, o telemarketing.
Após horas teclando números e ouvindo gravações repetitivas você finalmente é atendido por uma pessoa de verdade e agradece aos céus por isso. Porém, como tudo o que é bom dura pouco, logo vem o atendente detonando seus ouvidos com seu vícios e principalmente a mania de falar no gerúndio. Vamos aos exemplos:
Então senhor, "estaremos enviando a nova fatura dentro de 5 dias", "estaremos instalando o serviço..." ou "o técnico vai estar chegando em instantes..."
Desculpe se isso traz péssimas recordações a você, mas é necessário se revoltar ou ao menos questionar o porquê dessa prática absurda. Há algum tempo já que o crime se alastrou! Antes confinado ao atendimento por telefone, agora ele pode ser encontrado em qualquer loja do centro ou de shoppings, onde as vendedoras acham lindo falar que "podem estar financiando sua compra" ou que "vão estar remetendo a mercadoria até sua residência".
Como o gerúndio indica ação contínua, se levarmos "ao pé da letra" o que estes seres falam, vamos nos deparar com fatos muito tristes... Como alguém lhe enviando sua fatura eternamente, remetendo sua mercadoria até entupir sua casa e o pobre técnico então? Que ficará chegando ao local onde é esperado para o resto de sua vida!
Se não triste, é no mínimo estranho não acham? Mas de onde saiu essa bizarrice que nem sequer é prevista em nossas gramáticas?
Vamos à origem. Como pode se supor até mesmo pelo nome, o telemarketing surgiu nos EUA, quando nossas empresas resolveram adotar os sistema, chamaram profissionais estadunidenses para ministrar palestras aqui. Até aí tudo bem, entretando em inglês para falar que algo que será feito diz-se por ex: "I will be sending..." e numa grande palestra com um mestre no assunto, a cada vez que ele falava coisas desse tipo o incauto tradutor (para não chamar de coisa pior), traduzia "espertamente" como estarei enviando, estaremos isso, vamos estar fazendo aquilo, e assim por diante...
Sim, foi da maneira mais estúpida possível que surgiu esse mal, e como tudo que é ruim mas tem origem relacionada aos EUA, se alastrou!
Consideraçãos finais:
O artigo acima foi escrito por Iris Maria (a Shisha) para o blog Stuffs e publicado com autorização da autora.
Obrigada, Shisha, pelo maravilhoso e bem-escrito artigo! Desta vez eu comentarei no meu próprio blog! XD
Harpia.
Considerações iniciais

Primeiramente, antes de começar meu post em si, gostaria de lhes dizer algumas pequenas, mas sinceras, palavrinhas. Queridos leitores, o que seria do Stuffs sem vocês? No concurso O Show da Net, a pontuação do nosso querido blog foi excelente em matéria de blog e ele não tem ganhado notas ruins em estética, tampouco!
É uma pena que muito se acanhem em deixar suas opiniões a respeito do que escrevo. Peço que não o façam, vamos discutir! Afinal, como melhorar problemas sem uma boa conversa edificante? Isso enriquece nosso poder de argumentação!
Mais uma vez, obrigada pela audiência (pouca, mas fiel)!
Fiquemos agora com a revolta da vez!
Harpia.
Onde estás, Língua Portuguesa?
E eu, então, pergunto: onde foi parar a língua Portuguesa?
O que aconteceu com aquela que originou-se do latim, veio ao Brasil através de Portugal e atualmente está simplesmente sumindo? Seria tudo isso culpa do povo que prefere a ignorância ao saber? Seria, talvez, culpa das escolas, que não ensinam nada direito? Seria culpa do 'internetês'?!
Foi há pouco tempo que descobri a maravilha de escrever tudo corretamente. E quando o fiz, me apaixonei mais ainda pela nossa querida e amada língua. Por que cargas d'água ela vem sendo assim tão multilada? O número de 'quizer', 'crianssa', 'açassino', entre outras atrocidades vem crescendo de forma alarmante e não parece ter mais controle. Mas o que me espanta é que não é só na Internet que as pessoas estão escrevendo dessa maneira horrorosa, mas também nas redações que entregam nas escolas. E você pensa que isso é o pior? Não, não é! O pior é que tem professores que dão dez para esse tipo de texto! Vi um trabalho certa vez escrito todo em um único parágrafo, sem nenhum ponto final, entupido até não poder mais de vírgulas mal colocadas. Isso sem falar nos erros de ortografia.
Então pára tudo! O que vem sendo ensinado nas escolas que eu não estou conseguindo ver? E o que está acontecendo com esses jovens (falou a velha aqui!) que não se interessam em aprender? Por que não recorrem ao dicionário mesmo quando o têm em mãos? Esses jovens que ouvem as informações das aulas de Português, decoram-nas para as provas e esquecem-nas no momento seguinte estão se formando e virando os nossos advogados, médicos, doutores. O que acontece?
E o internetês? Foi-se a época em que servia para se escrever mais rápido. Antes fossem apenas os 'tbm', 'ñ', 'qdo', entre outros... o que temos visto são coisas absolutamente nada a ver e que ao invés de abreviar, modificam a língua! Como 'naum', 'ixquexi', 'podi dexá' e muito, mas muito mais. O que afinal acontece? Pergunto-me se o nosso português está condenado à extinção ou à total modificação e se no futuro estarei ensinando aos meus filhos que o correto é o 'naum' e que o 'não' caiu faz tempo...
Sem mais, deixo-os profundamente preocupada com o destino da nação.
Momento Cultura
Vocês certamente devem estar lembrados da trilogia "Ônibus" que tivemos aqui no Stuffs. Pois bem, devem também estar lembrados da dificuldade que tive em encontrar o nome correto daquele "cano" que serve para que as pessoas possam se segurar dentro do veículo. Foi bastante complicado, pois como poderia eu escrever a respeito de algo sem saber dos dados corretamente? Assim sendo, vim para trazer a vocês, leitores, algumas informações que são, no mínimo, interessantes. Antes, contarei como as obtive.
Intrigadas com o nome do tal cano, Iris (que ajuda bastante nos temas para o Stuffs embora não possa estar postando) e eu saímos fazendo uma pesquisa de campo. Chegamos à conclusão de que não sabíamos mesmo o nome desse cano quando estávamos dentro de um ônibus, indo para o shopping. Decidimos ali mesmo que quando chegasse nossa parada, perguntaríamos ao cobrador. Nosso pensamento era que como ele trabalhava com os veículos, talvez soubesse nos passar tal informação. Assim sendo, chegamos para ele como quem não quer nada e perguntamos:
"Sabe o nome daquele... 'cano' em que nos seguramos dentro do ônibus?"
"Ih, não sei... nunca pensei nisso..." respondeu ele.
"Mas vamos supor que você chegue em casa e vá contar à sua família que, quando estava andando de ônibus, quase caiu, mas conseguiu se segurar no...?" insistimos.
"Hum... 'ferro'?"
É, era uma tarefa difícil. Logo apareceram pessoas querendo entrar no tubo também e nós íamos parando todas elas para perguntar. Era incrível, nenhum dos três indíviduos que paramos ali com o cobrador soube nos responder. Mas surgiram outras denominações além de ferro e cano, como pegador e puxador. Sabíamos, porém, que nenhum desses nomes era o cientificamente correto. Ora, quem inventou o sistema de segurança dos ônibus certamente deu algum nome àqueles canos, e nós estávamos dispostas a descobrir. O shopping seria nosso próximo e perfeito local de pesquisa. Logo chegamos à brilhante conclusão de que certas coisas deveriam vir com plaquinhas que dissessem seus nomes, pois os canos de ferro não pareciam ter um nome correto e pelo jeito a população não tinha o costume de referir-se a eles, pois ninguém dizia o nome daquilo em que se segura. Chegamos a sentar à mesa junto com um senhor que almoçava um Big Mac. Ele foi o que nos pareceu mais entusiasmado com a idéia de descobrir o nome dos canos, mas tal qual todo o resto dos entrevistados, não conseguiu chegar à conclusão alguma.
Um pouco frustradas, mas alegres com nossos momentos de diversão, voltamos às nossas casas sem saber o verdadeiro nome daquilo. E foi quando eu contava à minha mãe a respeito de nossa pequena aventura pelo shopping que meu pai passou tranquilamente pela sala e disse:
"Ah, aquilo? Chama-se balaústre!"
Tão simples, tão inacreditável. Isso serve apenas para provar que às vezes a resposta pode estar ao nosso lado sem que sequer percebamos. Mas pelo menos pudemos nos divertir. Obviamente, fui até o dicionário para comprovar o que meu pai dissera. Antes de colocar aqui a definição, devo dizer que ele estava correto e que dificilmente teria errado, visto que meu pai é um dicionário ambulante. Bem, vamos à definição do dicionário:
balaústre sm Pequena coluna ligada a outras em série por uma travessa ou corrimão. (Minidicionário Ruth Rocha, pág. 77)
Interessante, não? O que quero, afinal, com isso? Além de trazer essa pequena curiosidade a vocês, leitores, mostrar como há coisas que as pessoas simplesmente desconhecem e nomeiam ou identificam por algum tipo de senso comum criado por elas mesmas. Isso pode, é claro, ser comparado a quase tudo, visto que quase ninguém se preocupa em descobrir a verdade sobre alguma coisa, seja ela uma história, um boato, ou um simples objeto. Por que será que alguns tipos de programas de televisão como os famosos reality show conquistam o interesse de grande parte da população brasileira, que se empenha em descobrir quem sairá e quem ficará, e coisas que talvez possam vir a ser bem mais divertidas e interessantes parecem a elas algo extremamente banal? Seria influência da tão falada mídia? Bem, pelo menos agora nós e vocês que acompanham o Stuffs poderão dizer que só não caíram no ônibus porque se seguraram no balaústre e não no cano, ou no ferro...
Tropeçando em propaganda
Cuidado! Não olhe para os lados! Não, não! Não olhe! Mantenha-se assim, olhando pra frente. Pensando bem, olhar pra frente também não é bom. Olhe para o chão! Ai meu Deus! No chão também não há escapatória. Já sei! Olhe para o céu! Isso, passe a andar olhando para o céu. Tarde demais, já foi surpreendido por um outdoor.
Já repararam no número incrível de propagandas que encontramos pelo caminho? Não importa por onde estamos andando, sempre seremos surpreendidos por propagandas de todo o tipo. A pressão e a influência que a mídia exerce sobre nossas mentes desprevinidas é tanta que, antes que consigamos perceber, já estamos comprando um determinado tênis só porque a propaganda era engraçada, ou porque tinha aquele cara bonitinho. Antes que o bom senso possa bater, já estamos levando a mão à carteira e retirando o cartão de crédito para pagar alguma coisa que por ventura poderemos sequer vir a utilizar.
O nosso sistema capitalista, dependendo tanto da movimentação do dinheiro, faz-nos passar por uma quase "lavagem cerebral" a fim de que possamos fazer girar seu mundo. Inconscientes, nós seguimos feito uma manada sem inteligência, apenas uma massa de controle. Não estou querendo dizer com isso que devemos boicotar o capitalismo e irmos viver de escambo ou coisa mais primitiva. Vamos apenas parar e analisar. Será que precisamos estar o tempo todo sentindo essa vontade quase incontrolável de comprar? Já repararam que de cinquenta em cinquenta centavos acabamos com todo o dinheiro de nossas carteiras? Tudo por causa do famoso "Ah, é baratinho!". Mas não podemos deixar de lado a nossa questão principal: a mídia.
A coisa é feita com tamanha sutileza que, como já disse, nem percebemos. E às vezes, as formas descaradas de propaganda faz com que a gente compre mesmo achando que fazer isso seria idiotice. Como colocar o produto na novela, por exemplo. Quando assistimos àquilo, pensamos coisas como "Eu nunca compraria isso só porque aparece na novela!" e, antes que possamos sequer imaginar, já estamos saindo da loja com o produto debaixo do braço. E se duvidar, ainda nosso irmão ou conhecido nos irá encontrar e dizer algo como "Nossa! É o produto daquela novela! Que legal!". Para não parecer que fomos escravizados pela mídia, respondemos tentando parecer casuais: "Ah, é? Nem sabia!".
Assim sendo, depois de complexa reflexão, pergunto-me: Estaremos um dia livres?
Vale a pena?

Se tem uma coisa que eu definitivamente não entendo, essa coisa é cigarro. Na verdade, não entendo quem fuma. Hoje em dia, dizer que não sabe que o cigarro faz mal é uma ironia das grandes. Todo mundo sabe o que o cigarro faz. Todo mundo sabe que ele não traz nada de bom. Então eu me pergunto: o que leva uma pessoa a começar a fumar? Fumar é suicídio! E digo mais, não é inconsciente, pois, repito, todo mundo sabe que cigarro mata.
Além de deixar os dentes e os dedos amarelos, o cigarro também deixa mal hálito, é fedido e mata todo mundo ao redor. Ou seja, o fumante, não satisfeito em ser suicida, é também assassino. Vi, certa vez, uma moça com o carrinho do neném atravessando a rua e fumando. Sinceramente, a pobre criança já devia estar toda suja de cinzas, não? Talvez os fumantes sejam apenas pessoas inseguras e que acham que o cigarro lhes traz algum tipo de conforto. Apesar de não conseguir ver esse conforto, eu procuro entender. Tenho um conhecido que diz que nem todo mundo que fuma tem problemas futuros e que o tio dele vivem até os setenta anos, de alguma coisa lá que não foi influenciada pelo cigarro. Detalhe: ele fumava feito um condenado. Tá, tudo bem, o cara não morreu por causa do cigarro, mas isso era só questão de tempo. E mesmo assim, quem garante que não foi o cigarro? Ora, setenta anos é muito novo.
O fumante é, antes de tudo, um hipócrita. Tem coisa mais desagradável do que ter uma pessoa fumando ao seu lado? Ainda mais quando você está na direção do vento. Aquela fumaceira fedida toda vindo em sua direção. Até entendo que uma pessoa mais velha fume. Provavelmente quando ela começou a fazê-lo, a informação não era tanta. Mas e a juventude? Tenho 17 anos e pretendo viver até os 90 anos, no mínimo. Mas é bem possível que eu não consiga por causa de todos os fumantes do mundo, que me fazem fumar indiretamente.
Então eu pergunto: vale a pena? Vale a pena ficar fedido, detonar os pulmões e prejudicar indiretamente o próximo? Vale a pena gastar seu precioso dinheiro todo santo dia em algo que irá matá-lo no futuro? Vale a pena servir de mal exemplo para as crianças que o vêem fumando?
E a televisão? Tem fonte de piores exemplos maior do que a televisão? Existe algum filme que não tenha personagem fumante? Até os quadrinhos, a princípio direcionado aos jovens, têm, cada vez mais personagens fumantes. Seriados e seriados cujos protagonistas são fumantes.
E aí? Está a humanidade entregue às indústrias de cigarros? Estamos todos nós condenados a morrer de fumaça?
Ônibus III - Talvez ainda haja
esperanças...
Enfim chegamos ao final da nossa saga. Muitos comentários foram feitos a respeito desses transportes públicos que estamos acostumados a pegar dia-a-dia e com os quais nos irritamos tanto. No fundo, é tudo uma questão de relatividade. Cada um tem seu ponto de vista a respeito de qualquer coisa que seja e com os ônibus não foi diferente. Decidi então, colocar aqui os comentários feitos pelos leitores e escrever a partir do que eles previamente disseram.
06/06/2005
01:12
Thaysa Lopes
"Gostei da sua historia miga. É grandinha mas é engraçada. É triste também. Nos ligeirinhos é cada um por si e Deus por todos. Mas você não mencionou as pessoas boazinhas que se oferecem para segurar a sua mala... (...)"
Com certeza, há pessoas de bom coração nesse mundo e que se oferecem para nos ajudar na árdua tarefa de tentar se segurar naqueles... ferros. Certa vez, ainda me lembro bem, duas pessoas perguntaram em som uníssimo se eu não queria que elas segurassem a minha pasta do cursinho. Acabei aceitando que a mais próxima a mim segurasse.
06/06/2005
13:12
Déborah Caroline
"(...) É, agonia de pegar ônibus é fodz..Por isso que eu sempre ando de carro ou a pé. Aqui a cidade é pequena... tudo é pertinho, mesmo. (...)"
Sem falar que andar a pé não polui o ar. Mas nada como o conforto de um carro. Se, é claro, você tiver onde estacionar, como veremos mais à frente. Infelizmente, nem tudo aqui em Curitiba é pertinho e, portanto, nem sempre podemos escolher...
09/06/2005
14:42
Luiza Meserd
"(...) O negócio revoltante aqui em Floripa é o preço abusivo da passagem. Com isso o protesto aumenta, os estudantes e até mesmo pais de família são espancados por policiais. Aí tudo vira uma muvuca, a assembléia é depredada, policiais ganham pedrada, bombas explodem, o cassetete desse, as balas rolam para o povo. E no final tudo acaba em zebra. (...)"
A passagem é realmente algo que revolta. Aqui em Curitiba nem é tanto e recentemente, o preço baixou dez centavos. Dá pra economizar uma grana... Em Florianópolis, todos devem ter ouvido as notícias, a coisa foi feia.
25/06/2005
13:38
Patrícia
"Ônibus é uma coisa se noção. Outro dia tinha uma mulher vomitando no Inter 2 (eca).
Segurar uma pasta é até fácil. Tenta segurar uma folha de papel color plus (se vc enrolar ele marca, se você dobrar ele marca.... se você respirar perto dele ele marca), no meio de um inter 2 lotado. Semi-impossível!! (...)"
Taí uma das coisas mais desagradáveis que você pode encontrar em um ônibus: vômito. Quando você entra no veículo e percebe um espaço vazio no qual estranhamente ninguém quer se sentar, poder crer; é vômito. Repugnante e desgostante, mas muitas vezes acontece.
Não faço a mais pálida idéia do que é um papel color plus, mas deu pra imaginar o sufoco que é pegar um ônibus lotado com ele!
14/07/2005
18:57
Vivian (Tia Vivi)
"(...) Em primeiro lugar ao andar de ônibus e reclamar de espaço no ferro para segurar lembre-se que nem todos alcançam o ferro de segurar e muitas vezes o jeito é se equilibrar mesmo.
E se você anda pensando que andar de carro resolve todos os problemas pense no assunto sob outro ângulo: Você chega aos lugares em cima da hora e não tem o que fazer com o carro, não acha vaga e o estacionamento ali por perto é caro. A porcaria do carro não encolhe nem some e te dá vontade de voltar pra casa, deixar aquela porcaria e vir de ônibus. Se está chovendo e você está com sono e fica com medo de dormir ao volante e começa a imaginar as conseqüências.
Como você sugeriu comentários, aí vai a minha sugestão:
Sempre que você estiver andando por aí, seja de ônibus, de carro ou a pé, tente ir prestando atenção ao que se passa em volta. Você vai descobrir:
- um monte de coisas engraçadas nas pessoas como o jeito de andar ou de falar ou de vestir
- um monte de coisas interessantes nas paisagens, construções e veículos
e aí você termina se divertindo ao invés de se aborrecer. (...)"
Realmente, se eu que consigo alcançar o "ferros" do alto já tenho que me equilibrar um monte, imagino os baixinhos... é por isso que, como eu já antes disse, é tudo uma questão de referência.
A questão do carro tem esse problema: onde deixá-lo? Bom, eu não tenho carro e, como todo ser-humano, tenho a tendência a achar que a minha vida ficaria bem melhor se eu vivesse em uma situação diferente da que vivo atualmente.
Olhar para as pessoas que passam na rua totalmente distraídas é muito bom, sim. Mas eu nem me divirto. Apenas me distraio. O legal é imaginar, ou pelo menos tentar, o que elas estariam pensando naquele momento enquanto você está sufocando dentro do ônibus...
No final das contas, muitas lições podem ser tiradas a partir de todos esses bizarros eventos que presenciamos em nosso cotidiano dentro dos ônibus. Aprendemos que enquanto nós estamos em uma situação que julgamos ruim, há sempre outro alguém muito pior e ainda um outro muito melhor. Mas provavelmente, aquele que está melhor, acha que poderia estar ainda melhor e nem pensa que você está pior. Confuso? É, mas é a realidade.
O ser humano "pensa, logo existe" e, a partir disso, fica egocêntrico pois não sabe o que se passa na mente do outro ser humano. Porque sabe que ele existe, mas esquece-se de que ele também pensa. Temos ainda muito o que aprender...
Ônibus II - A ameaça continua...
Sei que falei no post anterior que eu iria comentar a respeito de Gandhi... mas, porém, todavia, cheguei à conclusão de que vocês, pessoas que não sei porquê cargas d'água visitam meu blog, não curtiram muito a parte do Homem Vitruviano e, provavelmente, também não estão afim de saber a repeito do Gandhi. Assim sendo, digo-lhe apenas que esse cara foi O CARA.
Já que não iremos prosseguir com as divagações a respeito do meu template, decidi voltar ao assunto dos ônibus que, segundo notei, deu bastante discussão e eu percebi que esqueci de dizer algumas coisas a respeito desses transportes públicos. Cerrrto, então... vamos lá!
Como já lhes disse anteriormente, pego ônibus todo santo dia (não vejo a hora de ter um carro) e, portanto, vejo das mais variadas coisas que se podem ser vistas dentro de um veículo desses. Estávamos, então, dentro dele, sendo acotovelados para que a massa enfurecida pudesse arranjar um lugar para se sentar, certo? Pois bem, enfim a massa se acalmou e podemos partir para a nossa viagem tranqüila pelas ruas de Curitiba... peraí, eu disse tranqüila?
Não sei se já pegaram ônibus tendo que segurar alguma coisa nas mãos... é claro, o ônibus não pode estar vazio para que vocês compreendam. Ter que manter a pasta do Dom Bosco equilibrada nos braços e se segurar no micropedaço de... como é o nome daqueles canos em que a gente se segura? Bem... e se segurar no micropedaço de "cano" que deixaram livre, não é uma tarefa fácil! Ainda mais quando o motorista está de mal com a vida e decide sair fazendo curvas perigosas e derrubando todo mundo que está dentro do veículo.

Já repararam como a maioria das pessoas que não conseguiram um banco vazio para se sentar, procuram algum lugar para ficarem encostadas? Eu mesma faço isso. Obviamente, o único lugar em que me escoro é a porta, pois não tem como eu esmigalhar alguém... Todavia, o resto da massa enfurecida (mais enfurecida ainda, pois ficou em pé), não parece pensar como eu - e acredito que vocês também pensem assim. Não, elas estão pouco se lixando para as outras pessoas que precisam se segurar para não caírem. Assim sendo, elas colocam toda aquela massa disforme e gorda que são as costas delas em toda a extensão do... "cano". Já repararam o quão desagradável isso pode ser?
Lá vou eu então, timidamente, tentar colocar minha mão ali, no local em que a gente se segura (e não se escora). Não dá, entendem? As costas da pessoa, tão firmemente presas ao... "cano", impedem que a mão de qualquer outra pessoa possa se segurar. Vocês devem compreender que, a esta altura da "guerra", eu já estou enfurecida também. Assim sendo, pouco me importo se vai machucar ou não, meto minha mão com tudo, empurrando as costas da pessoa para frente, de forma que eu possa me segurar. Detalhe: só faço isso quando as costas do indivíduo não estão suadas, sujas, ou qualquer outra coisa desagradável.
Agora, se vocês pensam que eu finalmente saí vitoriosa, vocês estão redondamente enganados! Lá está a minha mão, esmagada por uma pessoa sem coração e sem noção de qualquer coisa ao redor... é triste. Pior ainda é quando o ônibus faz uma mega-curva! Eu quase caio, piso no pé de alguém ("Ops, me desculpe...") e a insensível pessoa permanece no mesmíssimo lugar, sem se preocupar com meus dedos dormentes ou com as minhas "quase quedas".
A saga dos ônibus ainda não terminou e talvez nem venha a terminar. Há tanta coisa a ser dita com relação a eses veículos públicos, que fico me perguntando se o nome do blog não mudara de "Stuffs" para "Ônibus"...